quinta-feira, 14 de abril de 2016

As festas de São Benedito, em Aparecida SP, e da Misericórdia, Em Cachoeira Paulista SP

Jorge Onofre, Edgard, Roberto e Zé Leocãdio em 
frente da catedral.
Relato sobre a festa de São Benedito, em Aparecida-SP, e a da Misericórdia, em Cachoeira Paulista-SP

A semana parecia longa, pois a ansiedade aumentava até chegar o momento da partida para mais uma daquelas viagens nas quais se vai tratar de algo importante e, às vezes, preponderante em nossas vidas. Era 1° de abril de 2016, conhecido tradicionalmente como o dia da mentira, dia das petas. Mas era um grande dia, talvez o mais esperado do ano por minha querida Cátia, eterna companheira de luta, e por mim.  O dia estava esplendoroso naquela sexta-feira, acordamos por volta das 7h e o Sol já nos recebia com seus raios brilhantes e calorosos, oferecendo-nos a belíssima expectativa de uma boa viagem.

Seguimos direto para Cachoeira Paulista, ao encontro da Comunidade Canção Nova, onde a voz de Deus, como em qualquer outro lugar, se faz imperativa em nossas vidas, feitas tão somente como um culto à simplicidade.  Na lembrança fica a gloriosa sensação de mais um ano de batalha vencida durante o Ano da Misericórdia. Saímos por volta das 13h e chegamos à Cachoeira Paulista às 15h30. Procuramos ir direto assistir à missa que já iniciara às 15h, participando ainda de boa parte da cerimônia. Após à missa fomos para a aconchegante Pousada Quinta Nova, reservada previamente por minha organizada companheira.

Repouso confortável
Depois de repousarmos confortavelmente, no outro dia seguimos para Aparecida, a fim de participarmos da linda festa de São Benedito, como sempre transbordando de alegria e emoção. Escolhemos um ponto estratégico para ver as mais de 100 bandas de congadas do Brasil que por ali deveriam passar com seus maravilhosos e afinados cânticos religiosos e suas exuberantes vestimentas. Meu desejo era ter condições de assistir detidamente a todas, sem deixar escapar o menor movimento, mas o cansaço, lembrando a frase do saudoso Zé Rico, da dupla com seu amigo Milionário, “me dominou”, ou quase me dominou. Apesar disso, tivemos a felicidade de fotografar o simpático barbudo da banda de Pouso Alegre-MG, fato que não tinha sido possível no ano passado. Ao avistar uma criança portando uma linda bandeira, dobrei os joelhos junto dela, para que ficássemos do mesmo tamanho, simbólica e literalmente. Era a Banda Tupy, de Belo Horizonte, cuja passagem nos remeteu ao nosso grande colega ex-seminarista, Tupy Guarany Pedro Paraguaçu Amorim da Silva.

Bandas de congado é o que não faltou
Não vamos citar todos os nomes das bandas, conforme já mencionado, pois seria impossível sem prévia e minuciosa pesquisa. Mas mesmo assim lembraremos alguns nomes das que presenciamos passar: Banda de Barroso que ostentava uma linda bandeira de Nossa Senhora do Rosário; Cachoeira da Prata-MG; Catalão-GO; Nova Serrana-MG; Lagoa da Prata-MG; Banda Andorinha, de Lagoa da Prata-MG; Taquara-MG; Banda Branca, de São José dos Campos-SP;  Santo Antônio dos Montes-MG; Banda  Moçambique de Nossa Senhora da Conceição, Sete Lagoas-MG. Além dessas, havia diversas bandas de uma mesma cidade, como Conselheiro Lafaiete,  Vespasiano-MG,  Sabará, Piausinho-MG e outas tantas que perdemos a conta.

Lá estava a nossa banda Moçambique
Não! Como haveríamos de perder a conta e a nossa banda, afora a homenagem a São Benedito e à querida Mãezinha Nossa Senhora Aparecida, a quem, depois de Deus, amamos sobre todas as coisas? Nosso desejo era encontrar as bandas oliveirenses, pois não demorou muito e lá vinha nossa querida Moçambique entoando maravilhas em homenagem à Mãe Maria. Ao avistá-la, não me contive, mergulhei, como se congado fosse, em meio a meus conterrâneos. Emocionei-me bastante quando ouvi de um amigo ao pé do ouvido: “Mais um de uma sequência que virá.” Para quem sabe ler um olho é um olho mesmo, pois os meus não resistiram e as lágrimas deslizaram abundantemente pelo rosto, abracei quatro componentes desejando homenagear todos, mas procurei fazê-lo com muito cuidado, pois o ritmo não pode atravessar.  Até o enorme sino do futuro campanário me pareceu envergonhado, pois permaneceu de boca para baixo, se é que sino tem boca, pois não saberia se seu toque poderia embaçar aquele som formado pela junção do oceano de bandas adentrando o Santuário da Mãe. Ficamos pesarosos, pois, diante daquela multidão, não conseguimos falar com os Marujos do Prudente, banda que também é oliveirense, mas deixamos recomendações indispensáveis de quem os prestigia sempre. Para complementar, aqui desejamos muitas felicidades para todos os seus componentes.

Almoçamos em Aparecida e voltamos a Cachoeira Paulista por volta das 16h. Fomos direto para a Pousada Quinta Nova, encontrar Dona Silvia e seu esposo Fernando, que têm como lema tratar bem seus hóspedes, a tal ponto que cada um se sente em sua própria casa. Naquele pedacinho de céu, tanto os proprietários quanto os colaboradores tratam todos com dignidade, respeito e muito carinho. Este reconhecimento não significa nenhum exagero, pois era voz uníssona dos hóspedes que lá estavam. Coincidentemente encontramos um simpaticíssimo casal de Conselheiro Lafaiete com três lindas filhas, e o mais admirável é que eles conheciam Senhora de Oliveira, coisa rara de acontecer em nossas andanças. Conversávamos como se fôssemos velhos conhecidos, porém sentimo-nos na obrigação de preservar seus nomes, pois este texto se destina à publicação. Por volta das 22h saímos um pouquinho para ver a movimentação na cidade e logo retornamos àquela acolhedora e confortável pousada para nos deliciar com um belo sono. Durante a estada,  a todo instante nos foram oferecidos café e outras iguarias e, quando resolvemos saborear um delicioso jantar, a própria Dona Silvia, para nos poupar do trabalho, cuidou de solicitá-lo a um bom restaurante da cidade.

A festa da Misericórdia nos aguardava no outro dia, pasmem! Para conseguir um lugar no Rincão do Meu Senhor, a fim de participar da Santa Missa que começaria às 15h, necessário se fez, já com alguma dificuldade, irmos às 9h40, isso mesmo: às 9h40 e ali aguardarmos até a hora da Santa Missa, que seria presidida pelo grande sacerdote e  pensador, Padre Fábio de Melo. Durante a cerimônia o sacerdote proferiu uma homilia inesquecível, exposta com simplicidade e esbanjando simpatia e sabedoria. Falou da insondável misericórdia de Deus para com os miseráveis pecadores, que somos nós. Antes da missa, porém, tivemos a honra de receber minha querida filha Narinha, meu neto Chiquinho,
As médicas  Rita e  Nara, esta com o filho
Chiquinho (deitado)

Núbia e a Dra. Rita de Cássia que levaria almoço para Cátia e para mim, lá no interior do Rincão. A deliciosa comida chegou a nossas mãos através dos organizadores do evento e almoçamos ali mesmo. Infelizmente não foi possível eles entrarem, pois nem a melhor boa vontade do mundo os colocaria no interior do Rincão, mesmo assim ficaram felizes se alojando no gramado que fica na parte externa.

Núbia
Como se não bastasse tanta alegria, o Padre Fábio nos deu a absolvição dos pecados de pouca relevância, deixando bem claro que quem tivesse pecado grave deveria procurar um sacerdote para o sacramento da santa confissão. Esta possibilidade é a mais linda dentro da infinita misericórdia de Deus; chama-se oportunidade de salvação para todos nós. O Padre Fábio, entre tantas outras narrativas, contou também uma historinha ligada a suas traquinagens de criança. Lembrou de uma xícara centenária que marcava lugar na cristaleira da casa de sua mãe, porcelana importada e outras tantas qualidades, afora ter sido herança de seus tataravôs, ou seja, quase uma relíquia. Num determinado dia em que sua mãe saíra de casa ele, igual a qualquer criança  já com Q. I. à frente de seu tempo, resolveu verificar o mistério daquela xícara tão bem acondicionada. Sem mais nem menos, o que é normal, a xícara lhe cai das mãos e se divide em incontáveis caquinhos. Apavorado, num impulso imperceptível olhou para todos os lados e, quase no mesmo instante, viu tudo que não gostaria de constatar pelo menos naquele momento: sua irmã mais velha, sua algoz, de olhos verdes, que deveria ser linda, mas com a péssima mania de informar intempestivamente aos adultos todos os acontecimentos indesejáveis que ocorriam na casa. E o pior de tudo, ou talvez o melhor, não fazia às escondidas, anunciava que ia falar e o cumpria exatamente como o prometido.

A mãe do Padre Fábio era mulher enérgica, porém sábia, qualidade que, diga-se de passagem, sendo mãe do Padre não é de se esperar outra coisa. Mal acabara de chegar e sua irmã foi logo relatando tudo que ali se passara. Sua mãezinha, com a voz cheia de docilidade, o chamou: “Fabinho!” Só este chamamento inicial já o tranquilizou, pois se estivesse brava seria: “Fábio José!” A esta altura o Fabinho se encontrava escondido debaixo da cama. Ao perceber que sua mãe o procurava, foi se apresentando aos poucos, mostrando uma pequena mecha de seus cabelos, para que ela pudesse perceber sua presença paulatinamente. Naquela hora, o pequeno Fábio ainda não tinha plena certeza do que poderia lhe aguardar, contudo resolveu se apresentar à matriarca e, qual foi sua surpresa quando sua mãe acariciando seus cabelos lhe disse: “Aquela xícara era de grande valor, não por ser porcelana, mas pelas memórias ali contidas. Mas olha, meu filho, você vale muito mais que milhares de xícaras, até que fosse de puro ouro”. Tudo naquela historinha do sacerdote foi para nos mostrar que somos muito mais preciosos aos olhos de Deus que todas as mazelas, todos os pecados e todas as misérias em que possamos estar mergulhados até o pescoço. Deus é pura misericórdia e nos ama por pior que sejamos, por mais xícaras que possamos ter quebrado no decorrer da vida, pois somos falhos, mesmo com xícaras espatifadas. Entretanto, é bom que juntemos os caquinhos e os apresentemos a Deus, Ele irá nos acariciar os cabelos, exatamente como sua mãe fez. Entre tantas reflexões trazidas pelo Padre Melo, houve aquela em que ele falou sobre a metáfora utilizada quando se exprime qualquer coisa como se fosse de envolvimento do coração. Na verdade, esta é uma responsabilidade da mente, pois, embora o coração seja um órgão vital, de suma importância para a vida humana, não é um órgão consciente, portanto não pensa.

Havíamos combinado de voltar neste mesmo domingo, mas o congestionamento nos fez permanecer mais uma noite naquela maravilhosa pousada.   Ah! De volta do Rincão tivemos o prazer de dar carona a uma senhora que nos autorizou citar seu nome neste relato, pelo fato de ser organizadora de caravanas, pois “seria quase uma propaganda”. Trata-se da simpática Dona Vera Pereira e duas freiras peruanas, todas residentes no Rio de Janeiro, que, ao descer do carro, nos agradeceram com um sorriso encantador, desejando que Deus nos abençoasse para sempre. Isso é tudo que precisamos. Como devotos da querida santinha polonesa, Santa Irmã Maria Faustina Kowalska, Secretária da Divina Misericórdia, que também era uma freira, ficamos encantados, pois tudo que fizemos se resumia no espírito do evento já mencionado: a festa da Misericórdia! Neste entusiasmo de boa hospedagem nos despedimos na segunda feira 05 de abril de 2016.

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