quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Congados de Senhora de Oliveira abrilhantam festa em Aparecida

por Edgard 


Finalmente, veio a   Banda Moçambique entoando"Viva
Maria no Céu"
Não podemos deixar de nos manifestar sobre alguns acontecimentos na Festa de São Benedito e na Festa da Misericórdia, por sua relevância no calendário católico em nossa região.

Em 12 de abril de 2015, se apresentaram 70 agremiações da congada no evento de Aparecida, sendo duas delas de Senhora de Oliveira, que não deixaram a peteca cair em nenhum momento. Emocionamo-nos ao ver nossa banda de congos saindo do Santuário, com sua cantoria maravilhosa e tocando os instrumentos com grande estilo. Estávamos em um dos corredores de saída, justamente à sua espera, e já nos sentíamos frustrados, por passarem muitas bandas e nada de vir a nossa.

Finalmente, veio a Banda Moçambique que passou entoando a cantoria cujo título deduzimos ser ”Viva Maria no Céu”, pois o refrão dizia mais ou menos assim: “Viva Maria no Céu, viva Maria no Céu, com seu terço na mão contemplando o mistério. Oi, viva Maria no Céu!” Esta parte da música parecia vir do alto, por causa das vozes mais fortes. A emoção foi intensa, levando-nos até ao pranto, quando um de seus componentes quebrou o protocolo e se aproximou, sem perder o ritmo da dança ou a letra, apertou nossa mão, levantou a cabeça e ergueu os olhos em direção à imagem da Mãe Aparecida, que quase já não se alcançava mais. Este membro da congada cantou mais forte, numa demonstração de fé e carinho para sempre marcada em nosso coração, pois seu gesto pareceu representar o desejo de todos os componentes daquela agremiação. Mais tarde fomos ao encontro deles e os cumprimentamos por sua belíssima apresentação.
Achamos importantíssimo ter encontrado no evento uma moça de Conselheiro Lafaiete. Trata-se de alguém que trabalha cotidianamente para a preservação desta manifestação da cultura brasileira. É uma mulher de eloquência impar, de quem já tivemos a honra de ouvir um lindo discurso durante o encontro de bandas da congada mineira em Senhora de Oliveira. Havia também bandas de Conselheiro Lafaiete, porém ela e sua mãezinha trajavam o uniforme da nossa banda. Talvez esta moça não saiba de nossa admiração, mas somos apreciadores de seu talento há algum tempo.

Marujos do Prudente
Na festa estava também, com toda sua imponência, a agremiação Marujos, do Prudente, município de Senhora de Oliveira. Com sua cantoria nos alegrava e nos trazia à lembrança o querido e saudoso Zé César, com seu longo bigode branco. Era um dos congos que se apresentava com autêntico entusiasmo, cantando e tocando um instrumento de percussão quase de seu tamanho, a ponto de contagiar todos os apreciadores deste folclore brasileiro. De tempos em tempos, ele saltava a uma altura de quase um metro e, na volta ao chão, cadenciava o ritmo com uma batida forte da baqueta, quase furando o couro, sem perder o passo, sempre sincronizado com todos os colegas.


 Nossas queridas agremiações nunca deixam por menos, cantam e tocam em qualquer lugar do país e do mundo, para onde forem convidadas. Sempre se apresentam com o entusiasmo e o valor já consagrados.  Parabéns aos conterrâneos, parabéns às duas agremiações por esta galhardia e pelas vozes afinadas em falsete e voz de cabeça sempre em sintonia, sem deixar perder a essência da suavidade do canto.

 
A partir da direita, Sebastião do Augusto Manja, Edgard
e Jorge do Zé do Onofre.
Um fato pitoresco que jamais se apagará de nossas memórias ocorreu durante a apresentação de uma agremiação de outra localidade cujo nome não será citado. Pareceu coisa divina: uma senhora vestida nos trajes da congada de sua terra, ao mesmo tempo em que dançava e tocava seu instrumento com uma das mãos, com a outra segurava um bebê de aproximadamente quatro meses, amamentando-o. Este gesto traz uma profunda reflexão: a senhora saía da Casa da Mãe Aparecida, obediente ao objetivo daquela gente humilde e simples de tocar, dançar e cantar, e de amamentar seu filho ao mesmo tempo. A criança não poderia ficar com fome, mas ela também não devia desaparelhar sua agremiação, retirando-se para um canto qualquer a fim de cumprir o dever de mãe. Lembra-nos a própria Maria, Mãe de Deus, que foi obediente, ao dar assentimento ao anjo que anunciou a concepção de Jesus: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça se de mim segundo a vossa vontade”. Pouco tempo depois, humilde e simples, com seu Menino Jesus no colo, em um jumentinho, trazia-O de Belém...


 Dali atravessamos uma grande passarela em um aclive que constrange as pernas e faz doer o peito. Fizemos o penoso trajeto, apesar de não podermos entrar na igreja de que tanto gostaríamos, pois fomos embarreirados pelo segurança que dizia cumprir ordens. Não questionamos sua missão, apenas nos voltamos para ir embora e ele, num gesto nobre, chamou o padre que parecia presidir o evento e lhe pediu que nos desse a benção, recebida com grande alegria.

Surpreendentemente naquele momento avistamos ao longe um conterrâneo ilustre que por ali passava: o nosso querido Cônego Agostinho Lourdes Coimbra. Ele não é o Santo Padre, mas trata-se de um padre santo. Trocamos algumas palavras agradáveis, como lhe é peculiar, e o deixamos, pois estava com suas irmãs e pareciam estar precisando de um bom descanso. Só este encontro já valeu toda a nossa viagem, pois imaginávamos tudo, menos encontrar nosso querido Padre Lurdinho, aliás querido de todos. Ele é assim conhecido por aqueles que, como nós, muito o amamos.

Sem mais, batemos em retirada: agora com destino a Cachoeira Paulista, a aproximadamente 30 quilômetros dali, onde fé é a palavra de ordem. Fundada pelo Reverendíssimo Monsenhor Jonas Abib e amigos, a TV Canção Nova representa um pedacinho do céu. Não temos dúvida de que Deus mora ali. Já não existia mais uma vaga sequer nos hotéis da cidade, todos estavam abarrotados. Como de costume, não nos apavoramos, pois este é nosso compromisso de vida, se der certo, ótimo; se não der, paciência. Entramos em um supermercado com o objetivo de comprar água mineral e, ao passarmos pelo caixa, comentamos com a moça a falta de vagas em hotéis da cidade. Entretanto, achávamos o fato compreensível, pois não reservamos hotel e, afinal, seria o dia da Festa da Misericórdia, justamente na terra onde se encontra o Santuário do Pai das Misericórdias, portanto não seria para menos.
Simone em frente ao palco do programa
. "Canção Nova Sertaneja"

Calmamente a moça abriu uma agenda amarelada pelo tempo e achou o número do telefone de uma senhora que seria dona de uma pousada e o deixara com ela. Deu-nos o número, ligamos imediatamente e fomos atendidos pela Simone, oriunda de Macapá, que nos disse: “Eu fechei a pousada, pois estou de volta para minha terra, mas podem vir que a gente dá um jeitinho”. Forneceu-nos o endereço e lá fomos nós. Antes mesmo que descêssemos do carro, já ouvimos uma voz carinhosa que dizia: “Sou Simone, entrem e sintam-se como se estivessem na casa de vocês”. Tal atitude tão nobre de uma desconhecida não costuma ser comum assim nos dias de hoje. Porém, percebemos se tratar de uma pessoa extremamente bondosa e simpática, logo nos envolvendo com sua amizade. Suas palavras resumem seu belo caráter: “Como já desmontei as outras camas, vou ceder o meu quarto para vocês e fico aqui na sala”. Recusamos educadamente, porém ela insistiu tanto que até acabamos por aceitar.  Nossos corpos suplicavam por uma boa cama, conversamos muito sobre outros assuntos, nada pertinente a nossa estadia, pois parecia sermos amigos há anos. Sem dúvida, naquele momento estava sendo selada uma nova amizade. Porém, o sono já não queria aceitar a continuidade daquela agradável conversa e logo fomos dormir.

 No dia seguinte acordamos por volta das 8 horas, convidamos a Simone para ir à missa da Misericórdia, que seria presidida pelo intelectual Padre Fábio de Mello. A missa seria às 15 horas e ela aceitou o convite com naturalidade e simpatia. Antes de ir à igreja, demos umas voltas pela cidade para comprar alguns objetos religiosos. Adquirimos um maravilhoso quadro de Jesus Misericordioso no qual fora estampado  um retrato de  Jesus, de acordo com Santa Faustina...“Pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós” (Diário, 47).“Eu mesmo te darei muitas ordens diretamente, mas atrasarei e farei depender de outros a possibilidade de execução das mesmas. (...) Deves saber, minha filha, que esse sacrifício durará até a morte” (Diário, 923).

Voltamos para a casa da Simone que, a essa altura, não era mais uma pousada, mas o lar de uma amiga. Ela já estava vestida apropriadamente para ir à Casa do Senhor e, quando lá chegamos às 14 horas, encontramos o Rincão com seus 1.800 m² lotados. Transformamos o chão de cimento liso em nossas cadeiras, de onde assistimos confortavelmente à Santa Missa. Não desfazendo dos demais sacerdotes, na pregação do Padre Fábio de Mello não se vê uma só palavra vazia, não se perde nada, até mesmo seu sorriso tem determinado fundamento. Participamos atentamente  da cerimônia e tivemos várias graças alcançadas. Temos certeza de que ali aprendemos a valorizar  mais ainda, durante as 24 horas do dia, a misericórdia de Jesus e de Deus, nosso Pai. Saímos cheios de sua misericórdia daquele Rincão superlotado, mas com uma sensação de paz, ternura e alegria. Terminada a Santa missa, fomos assistir a um programa sertanejo da TV Canção Nova, que estreara naquela tarde, das 18h30 às 19h30. Voltamos à casa da Simone, trocamos telefones e endereços, e viemos embora. Foi com pesar que pusemos o carro na estrada, regressando à nossa casa. Ah! O programa Canção Nova Sertaneja promete continuar, devendo acontecer ao vivo todos os domingos, às 18h30. Não percam, pois é ótimo!

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